#28 desafio criativo – free motion quilting poças

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hoje senti de deixar fluir pra ver o que saía. apenas sentei na máquina e comecei o meu padrão inexistente de free motion quilting.

linhas curvas sempre são as primeiras que saem quando começo a quiltar. por ser um movimento livre feito com as mãos, as curvas sempre aparecem de forma natural. quilting livre com formas quadradas e linhas retas é impossível. as mãos não trabalham em movimentos duros e rígidos, com ângulos de 90°.

apesar de ser um exercício maravilhoso, quiltar reto com a sapatilha de free motion quilting, quando iniciamos um quilting livre de forma livre mesmo, sem nada planejado, é que percebemos que a beleza do quilting está nos desenhos fluidos que nascem através do movimento das mãos.

o fluir é cheio de curvas, círculos, ondas, assim como a água, que corre pelos rios, atravessando fendas, frestas, fazendo diversas curvas, até desaguar no mar, onde encontra as ondas, de diferentes tamanhos e intensidades.

isso me fez refletir em quantas vezes a gente quer que a nossa vida seja rígida, que as coisas aconteçam de um jeito específico, do jeito que a gente pensa que tem que ser. de um jeito ângulo de 90°.

na verdade, a vida é como a água. ela flui do jeito que tem que fluir. faz curvas, atravessa pedras, obstáculos, continua seguindo o caminho que ela precisa seguir pra desaguar no mar. e é só quando a gente chega nesse mar, é que a gente entende porque a vida fluiu do jeito que fluiu, e continua fluindo.

hoje a reflexão foi profunda com esse quilting. não sei se consegui transmitir o que senti e percebi com esse padrão de hoje.

quando finalizei e olhei para o que nasceu, só enxerguei poças de água. mais uma vez, o tema água se fazendo presente. é o fluir!

tô sentindo que o tema desse ano será FLUIR.

um abraço,


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Respostas de 4

  1. Pri, eu senti a pele a profundidade da que você falou! Ainda não entendo que mundo mágico você acessa quando quilta, mas uma certeza eu tenho – é mágico. Um mundo de uma linguagem simbolica, como o tarot, que nos faz entender o mundo com uma profundidade que quem não tem acesso não tem como entender! Pura magia!

    Fez tanto sentido tudo o que você falou da água. Apesar de ser um tema universal, não deixo de reparar nas sincronicidades que nos guiam neste desafio! Elas me faziam arrepiar de pura incredulidade quando apareceram na minha vida mas agora estão tão presentes que muitas vezes são o “pão nosso de cada dia”. Amei que você sentiu, quiltou e falou do fluir justo hoje. Porque amei, porque eu também falei sobre isso.

    E aqui o meu texto:
    20.3.2025
    Hoje chove torrencialmente de tarde, criando um barulho estático forte nos telhados das casas e eu, do nada, tive um momento de clareza muito forte. Como se fosse uma imagem colorida no meio do filme a preto e branco da chuva, que estava passando na janela. A clareza de que tudo o que estancamos – palavras, sentimentos, emoções, ações – é como uma calha entupida. Vai estragar a casa, alagar, fazer estrago… enquanto o fluir é sempre uma benção. A chuva flui, as cachoeiras, os rios, as lágrimas.. tudo nesse movimento de encontrar a sua direção, o seu caminho como se puxado por um chamado fortíssimo e se estancado, acumula a água até explodir ou transbordar e se transformar em desastre!
    Enquanto escutava a chuva atrás do conforto da minha janela, lembrei de todos os riachos, rios, bosques e chuvas do caminho. Lembrei de todas as conversas que tive sobre o fluir, o jeito cíclico e fluido do feminino, seguir o ritmo da natureza, não estancar. Lembrei principalmente do murmurar dos riachos que tanto me encantava, me chamava. Quantas vezes senti um ímpeto de mergulhar os pés (e não só), de me conectar justamente com o elemento da água, do fluir, das emoções.
    Aos poucos descobri que os Celtas que haviam passado por essas terras mágicas veneravam os elementos. A água era por excelência o elemento de acesso para o Outro Mundo. Para eles, era o elemento que tinha poderes mágicos e virtudes curativas. Também, qual não foi a minha surpresa ao descobrir que a grande maioria dos nomes célticos dos rios que passam na região é feminina, além de serem nomes de deusas. Deusa e rio, rio e deusa conceitos intercambiáveis! Na sua mitologia as águas são ligadas à origem, já que o primeiro homem e a primeira mulher emergiram das águas. Penso em como chorei desalmadamente, como se não pudesse estancar as lágrimas numa igrejinha romana que logo me disseram que havia sido um templo celta e onde havia três riachos de água subterrânea. Interessante. Tudo à volta do tema da água!
    Estendo a mão para sentir o gelado da chuva e, com os primeiros pingos que não se detém, mas escorrem pela minha mão, vem a clareza inevitável, que tudo o que eu não expresso fica atravancado no meu corpo. Há coisas, como os pingos de chuva, as emoções, as palavras, que não foram feitas para se demorar no corpo! Mas para mim são anos e anos, tradições familiares de calar. Uma avó dizia que se for para magoar, era melhor calar, ou mesmo mentir.. A outra, nem transpirava de tanto que não se permitia fluir. Decido tentar sussurrar para a chuva o que me trava. Mas ela não me ouve. A sua dança e a sua voz é imperativa, forte e urgente. Tento falar, mas não me sai a voz. Fecho os olhos, me concentro. Então som após som, sílaba após sílaba, palavra por palavra começo a falar… ainda é um gotejar, mas é o primeiro passo para o fluir. Tudo o que foi calado, desde que me lembro por gente. E sem que eu consiga mais ter controle, pulo pela janela, vou para a rua e grito e danço e me desfaço de tudo o que me faz estancar! Permito que o meu fluir interno comece a acontecer. Ainda tenho muito que aprender. Anos e anos não se esquecem com um breve momento. Hábitos ancestrais não se apagam como que por magia, apesar de parecer que sim. Mas hoje entendi do que se trata, agora é só prestar atenção, conectar com toda a água que me cerca, entrar em sintonia e deixar fluir.

    1. fico tão impactada e emocionada quando você fala que eu acesso um mundo mágico quando quilto, porque ainda não tinha me atentado pra isso. pra mim é tão natural, mas ao fazer esse desafio percebi que quando estou quiltando, estou em profunda conexão comigo mesma, como se eu tivesse fazendo o que nasci pra fazer. não sei explicar. talvez seja essa mundo mágico, o meu mundo. o que você escreveu é tão verdade! quando a água é contida, ela vai crescendo, crescendo, crescendo, até romper qualquer barreira que tiver a contendo, e sai por todos os lados, com uma força feroz. e o mesmo acontece com a gente. quando você conta das suas avós, vejo o quanto somos criadas pra contar, principalmente nós mulheres. não podemos demonstrar nossos sentimentos, principalmente os negativos, não podemos desagradar, enfim, tantos nãos, que nos ensinam a conter, mas uma hora toda essa água acumulada se rompe, e pode se romper em doença, em ira, em vícios. ter clareza da água, traz clareza de como devemos conduzir nossos sentimentos e emoções. e essa igrejinha que foi um templo celta? preciso conhecer! aliás, tenho me interessado mais e mais pelos celtas. onde encontro material confiável sobre o assunto? kkk

  2. Pri, fora o seu mundo ser mágico, você consegue comunicar essa magia atraves das suas palavras e dos seus quilts! Também acredito que você precisa fazer o que está fazendo… se nasceu para isso, não tenho tanto atrevimento para falar, mas… sempre que via as suas máquinas de costura, o seu atelie, mesmo quando você falava que aquilo era parte do passado, eu sentia uma energia muito forte. Uma inspiração gigante!
    Sim, agua contida muitas vezes dá em doença… e nem sabemos de onde vem! Estou cada vez mais ligada a palavra fluir! Fluir com consciencia de fazer fluir. Não só deixar que aconteça o que tiver que acontecer!
    E sim, a igrejinha é mágica. Fica do lado de uma cidade que chama Melide, onde se come o melhor polvo da Galícia, segundo dizem os Gelegos. Ou pelo menos, os que são de Melide.. hahaha. É a mesma igreja que tem um coração que surgiu na parede pelas vibrações, pelo som, uma nossa senhora de azul para me relembrar do porque da peregrinação… tudo mágico! Informação confável… dificil. Eu procuro e passo pela peneira da intuição e do discernimento. Há coisas que fazem sentido e as guardo, outras descarto. Talvez a melhor forma seja de ir bruxear pelas terras celtas! Anima?

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