esse padrão de free motion quilting nasceu como uma extensão do padrão anterior. ele também foi executado de forma livre, sem plano nenhum.
ao começar a quiltar, logo pensei nos labirintos. já quiltei um labirinto quadrado, porque não um redondo?
muitas vezes o fluir nos leva pra labirintos internos onde quem precisa nos guiar pra encontrar a saída, é a nossa intuição.
e quantas vezes ficamos dando voltas, e mais voltas, quando a saída estava bem ali na nossa frente, mas a gente não conseguia enxergar por teimosia de não ouvir a intuição?
fiquei pensando que deixar fluir e seguir a nossa intuição, demanda mais coragem e resiliência do que imaginamos. é definitivamente um ato de coragem e fé.
esse labirinto curvo representa o nosso labirinto interno, cheio de curvas, muros, passagens inacessíveis, outras acessíveis até demais, mas com o fluir sempre pra direção que precisamos ir, a saída. só que encontrar essa saída depende das escolhas que fazemos ao longo do caminho.

escolhas erradas transformam esse labirinto em um espaço sem fim, onde sentimos que estamos dando voltas em vão. escolhas certas fazem nosso caminho fluir, e chegamos até a saída com rapidez.
quiltar esse padrão foi exatamente isso. escolhas certas me fizeram fluir mais ao longo do quilting, e as escolhas erradas me fizeram quiltar de jeitos que eu não queria, mas precisava fazer daquele jeito pra fazer o quilting fluir novamente.
foi um padrão novo e desafiador pra mim. não quilto muitos labirintos, mas foi essencial pra entender esse processo do fluir.
o mais interessante é que eu amei o resultado final. confesso que eu não estava botando muita fé. quando finalizei enxerguei algo meio tribal, muito diferente do meu estilo, e eu gostei! =D
o aprendizado desse padrão foi que deixar fluir com confiança, coragem e fé tem o poder de nos levar até portas surpreendentes, muito melhores do que imaginamos. mesmo com medo, estranheza, e dúvidas pelo caminho, deixar fluir e se entregar pro processo nos guia até onde precisamos chegar.
um abraço,

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Respostas de 3
Pri, este seu texto sobre os labiritntos me inspirou enormemente. Mais até do que o próprio quilt. Não sei se vejo labirintos ou figuras tribais. Alguma coisa neste padrão me prende. Mas o seu texto, fez um redemoinho dentro de mim.
“muitas vezes o fluir nos leva pra labirintos internos onde quem precisa nos guiar pra encontrar a saída, é a nossa intuição”. Quanta profundidade e verdade. Amo ver que quando o assunto é quilt ou a nossa vida, as palavras são intercambiáveis. Podemos falar de quilt ou de vida e são os mesmos conceitos. Um perfeito reflexo.
“e quantas vezes ficamos dando voltas, e mais voltas, quando a saída estava bem ali na nossa frente, mas a gente não conseguia enxergar por teimosia de não ouvir a intuição?”Se tem gente que não se identifica com isto aqui, não é gente! Uma verdade universal!
E quanto às escolhas certas e erradas? A verdade é que a gente sempre acha a saída. Mas pode ser mais ou menos penoso, rápido ou agradável. E não necessariamente os aprendizados vem com as escolhas certas, muito pelo contrário, eu diria.
E aqui está o meu texto de hoje grandemente influenciado pelos labirintos.
21.3.2025
Como perdida e confusa num labirinto, hoje é difícil começar a escrever! Sabia o que queria dizer e quando me sento à frente do papel dá um branco. Como se soubesse onde é o meu norte, a direção que preciso seguir, mas que tenha uma parede de labirinto. O sentido de humor do universo. Sento-me mesmo assim. E o primeiro pensamento que vem é – quem me garante que a direção é por aqui? E o que importa que seja, se eu não consigo passar? Não é a informação que preciso…
Talvez precise começar por dizer isso mesmo. Estou perdida. A minha mente diz que não, que está tudo ótimo, mas então porque me sinto assim? O que faria se estivesse perdida no meio de um labirinto físico? Será que iria desabar no chão a chorar? Será que iria sair à procura de uma saída? Será que iria parar e pensar no que fazer? Confiar na intuição e no fluir? Mas se hoje nada flui… o que fazer?
Insisto! Insisito e depois de um tempo que sinto como perdido para sempre tenho a certeza que insistir realmente não é o caminho! Não sai nada. Não flui nada! Nem uma palavra! Será que é a desvontade de acabar o desafio? Será que não levo a escrita à sério? Não percebo o que me acontece hoje!
Mas então sobe o cheiro do café. Hmmmmm. Tinha me esquecido que fiz café para acompanhar a minha escrita. Faz parte do ritual de escrever. Levar alguma bebida que me dê acalento se me perder e justo hoje eu esqueci. Tomo um gole que vai da boca, pela garganta ao que me parece ser diretamente para o coração! Como sabe bem! Ultimamente tenho me deixado guiar pelas sensações. As sensações como caminho para as minhas emoções. Aquelas verdadeiras, capazes de causar terremotos e verdadeiras revoluções, aquelas por sua força e a minha sensibilidade deviam ficar trancadas a sete chaves por pura questão de sobrevivência. Não teria como, um corpo frágil, como de papel comportar tsunamis! Então o caminho era o de endurecer, não sentir. Bebo mais do café. A sensação quente e amarga me faz respirar com mais calma e me aquece e acalma o coração. A sensação física que me guia para a emoção! Talvez a minha intuição saiba que vou acessar alguma coisa que vai doer e por isso a resistência! Será? A ideia me faz sorrir e continuo (não pela insistência como até agora, mas pelo deixar ir, deixar me afundar) Coloco uma música. Mais sensações no corpo físico. O ritmo e a harmonia sempre me movem, fazem balançar, sentir o corpo, dançar. Qual é a trilha sonora de hoje, a que me vai tirar do mental, do controle e me guiar através do labirinto? A harmonia é triste, mas é dançante. Fecho os olhos. Imagino que danço e sem me aperceber fico mais leve. Dançar pelo labirinto, de olhos fechados. De alguma forma, não esbarro. O ritmo, os passos de dança guiam-me. Uma leveza começa a ser aos poucos perceptível. Sorrio. O cheiro e o paladar do café, mais o toque e o escutar que a música e a dança me despertam. Só falta o olhar, já que estou de olhos fechados. Mas então lembro de Jung que disse “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”. Corpo fluido ao som da música, gosto intenso na boca, espirito acordado pelo aroma do café, fico com os olhos fechados e me concentro nas sensações. De repente percebo que o labirinto é dos olhos para dentro. E a música diz, apaga a luz, acende as velas. Com o seu ritmo africano, me dá um acalento tribal que me faz confiar. Acender a vela, a chama da alma que vai me guiar para despertar. São escadas circulares, estreitas, que desço de forma fluida, como se fosse uma magia que me levasse para dentro e o fundo de mim, seguindo o batuque, o aroma. Estou leve, concentrada, esperando uma revelação. O que acontece, onde é a saída do labirinto? E nada acontece, só escuridão. Sinto-me mais perdida, confusa, descrente! E então, como que por magia, entendo que esse lugar escuro, de paz, que mais ninguém acessa, que é só meu, é o meu maior tesouro. É o lugar mais perto do meu coração, onde não existem interferências do mundo exterior, onde só se escuta o batuque do coração e quando tenha alguma dúvida, é aqui que vou encontrar a resposta! Não sei se lhe chamo de essência, de coração, de intuição, do que existe do outro lado do labirinto. Hoje não preciso de nomes, mas justamente desta sensação de paz, calma e pertencimento.
que lindo ina! amei que o meu quilt te inspirou a escrever o texto de hoje! e enquanto lia, fiquei pensando, acredito que você acessou o centro do labirinto. normalmente, o centro do labirinto sempre esconde um tesouro, e você encontrou o seu tesouro pessoal. muito inspirador e muito lindo!
Pri, eu sempre me impressiono com coisas inexplicáveis. Mas ultimamente tenho escrito ou falado coisas que depois encontro explicação – como agora. Ecrevi de descer, de ser escuro, de ser o meu tesouro. E vocªe vem e diz que no centor do labirinto se esconde o tesouro. Eu não sabia disso, mas eu escrevi! Que LOU-CU-RA!!! Amo quando isso acontece, mas também fico com os cabelos em pé! Que processo este, de quilt, escrita, mais escrita, resposta! Magia pura!