mais um padrão de free motion quilting que é uma variação de um tema maior, flores. como eu sempre falo, a natureza é sempre a minha maior inspiração, e as flores têm um lugar especial.

com as suas cores, formas e cheiros, cada flor tem algo peculiar, só dela. mesmo flores da mesma família, podem se diferenciar muito umas das outras. veja as orquídeas. quantas variações de orquídea existem? não sei dizer, acredito que milhares. cada uma com um tamanho, forma, cor, cheiro, e todas belas.
a natureza nos ensina a todo momento, em tudo que existe nela. não existe nenhuma flor igual à outra, e todas são belas. isso se estende à nós. somos mais de oito bilhões de pessoas, cada um diferente do outro. cada um com seus talentos, defeitos e qualidades e peculiaridades, mas todos temos a mesma origem, e são as nossas diferenças que nos fazem belos.
quanto mais o tempo passa, mais o mundo fica sem graça, sem cor nem criatividade. é uma cobrança sem fim pra seguir um padrão, que alguém um dia disse que é o melhor, que é o certo.
na arquitetura, só vemos mais do mesmo. cada dia mais os projetos estão sem vida, sem detalhes, sem essência, sem alma. é só voltar na história, ou dar um giro pelos cantos históricos e antigos das cidades. toda cidade preserva algumas construções antigas, ainda.
fico pensando como seria o mundo se cada ser humano fizesse o que amasse e fosse quem é de verdade, sem crenças limitantes, apenas ser o que é. não tenho dúvidas que teríamos um mundo muito mais humano, belo, criativo e interessante.
quando sentei na máquina pra quiltar essa variação de flores, fiquei pensando: “mas de novo uma variação? mais do mesmo?”.
não é mais do mesmo. é como as orquídeas, posso quiltar 1000 padrões de flores, cada um revelará a sua beleza e singularidade.
meu desejo é que todos nós possamos ser quem somos em essência. que a gente deixe as nossas cascas saírem e a nossa beleza ser revelada.
um abraço,

Descubra mais sobre Priscila Serato
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
Respostas de 4
Pri, com certeza não é mais do mesmo. Eu que só vejo o resultado e não o processo vejo algo muito diferente do que você já fez! Louco, né?
E que linda os seus pensamentos sobre as peculiaridades de cada um. Eu acredito muito nisso, mas como é difícil a gente abraçar quem a gente é de verdade. A nossa parte de querer pertencer, ser aceite, ser amado é muito forte! Mas acredito que estamos, como civilização, no bom caminho… eu espero.
Aqui o meu texto de hoje, com gostinho de despedida:
19.3.2025
Último dia de 2024 segundo o ano astrológico. Um ano que termina no meio de dois eclipses. Por isso, em alguma parte de mim sinto que é um fim e um início do ano novo mágicos! Em 2024 vivi o que me parece terem sido muitas vidas. Iniciei o ano (em março) com muitas dificuldades de colocar as prioridades em ordem. Muita confusão mental, muitas dificuldades, doenças (tive dengue duas vezes no espaço de um mês). Era um período cheio de despedidas e decisões difíceis porque estava no processo de mudança de país, continente, hemisfério, cultura! Estava mobilizada para ser o suporte dos filhos que não queriam ir, mas que se estavam preparando de corpo e alma, estudando inglês e trabalhando na terapia a aceitação de deixar tudo o que eles conheciam para trás e embarcar rumo a aventura mais louca da vida deles! E nós adultos, também. Decisões como o que levar, o que guardar, onde guardar, o que vender, o que doar. Casa, carro, gato… o que fazer? As despedidas eram melancólicas, porque eu sou uma pessoa melancólica – já não vou pular mais carnaval, este é o último dia das mães da escola, esta é a última Páscoa em família… a ausência do marido/pai sempre pesava. Mesmo com todo este peso ainda estava empolgada com a mudança! Com medo, mas empolgada! Tive projetos profissionais desafiadores e que me mobilizaram para desenvolver tanto as minhas habilidades técnicas, como emocionais, interpessoais e administrativas!
Então veio julho e uma reviravolta abrupta de planos. Um rompimento, muitos corações desesperados, mas também muita gratidão, muita esperança e olhar só para o futuro! O que ficou, ficou! Mais questionamentos – como será a vida agora? Onde? Quando? Como? … só o porquê eu não tinha dúvida – tinha uma fé imensa que tudo acontece para o melhor, porque nem tudo o que brilha é luz!
Agosto foi mês de romaria. Nasceu a Ina romeira, apesar de ser por um dia! Senti a emoção de dormir debaixo das estrelas, de acordar no frio e escuro e sentir a expectativa da iminente chegada em mim e em todos à volta durante a prece da manhã, de ver o céu vermelho sangue, laranja profundo e o sol nascendo aos poucos, de começar o dia de forma mágica e partilhar isso com o meu menino, de me sentir completamente livre, caminhando pelos campos ao nascer do dia, de sentir dor nos pés e uma profunda alegria que a dor, a sede, a fome existiam… porque me fizeram me sentir mais viva que nunca! Era vontade de não parar nunca de andar, de sentir de corpo e alma como se chega ao fim de uma peregrinação, tendo a partilha de quase 100 pessoas! De me emocionar até a medula dos ossos não tanto com a estátua, mas com a presença de nossa senhora em todos que estavam presentes! De pedir direcionamento do mais profundo do meu coração e de sentir receber bênção atrás de benção! Ali, tenho certeza, nasceu uma nova Ina, com coragem de enfrentar o que fosse e com muita fé no coração!
Apenas dias depois, desdobramentos, veio o chamado para fazer o caminho de Santiago! E os caminhos foram-se abrindo para que eu visse que era possível! Só dependia do meu querer! E eu queria! QUERIA MAIS DO QUE TUDO! Lá, as mudanças foram exponenciais. A Ina que se preparou, não foi a que chegou em SP, não foi a que chegou em Lisboa, nem em Bordeaux, em Saint-Jean-Pied-de-Port, em Pamplona, Rioja, Meseta, Castilla y Léon, Galicia e finalmente Santiago. Cada etapa pedia um renascimento. Deixar para trás camadas para que a Ina que precisa existir, conseguisse emergir. Foram nascimentos pela dor dos pés, do corpo, da saudade, do desapego, pela fé que estava lá por um propósito maior e que tudo ia dar certo, pelo amor à natureza e ao apoio espiritual que sentia de uma forma constante e tão, tão forte! Nossa Senhora que eu via nos rios, nas igrejas, nas procissões, nos momentos que mais precisava! Ela estava sempre presente, me guiando, sussurrando, me dando a mão!
A partir de outubro foi uma reconstrução. De incorporar as lições do caminho no dia a dia do Brasil. Saí de Santiago com receio de não conseguir, mas cheguei ao Brasil, cheia de energia e certeza que tudo é possível! É só querer! De lá pra cá, foi meio ano …MEIO ANO, nem acredito! Trabalho profundo, interno, de sentir, questionar, trabalhar e integrar o que trouxe do caminho!
Realmente senti que 2024 foi ano de Saturno, ano de estruturar, construir bases sólidas com disciplina e perseverança, de muitos desafios e crescimento pessoal, de amadurecimento emocional e espiritual, um ano de profunda transformação! Quantas oportunidades, quanta gratidão! Vem 2025, vem ano de Júpiter! Tudo pronto para te receber!
ina, seu ano de 2024 foi uma montanha russa de emoções e experiências! quanto aprendizado, quanta vivência! você iniciou um processo muito profundo de tirar as cascas da sua cebola pra revelar a sua essência. tenho certeza que 2025 será um ano de grandes conquistas pra você, conquistas alinhadas com a ina essência! sendo um ano regido por júpiter, grandes realizações estão a caminho! \o/
Hum, ao ler o que você escreveu me pergunto se essencia também não pode ser uma palavra para 2025. A cobra que tira a sua pele, jupiter que abençoa, e olha você… o movimento que você está fazendo com a sua arte! Não te conhecia há três anos atrás para saber como era o seu envolvimento com as artes manuais, mas agora está muito lindo de se ver. Focado, autentico, ligado às suas raizes, suas antepassadas, suas habilidades! Está muito lindo! Muito especial! Se fluir e essencia forem de verdade o rumo, o norte que teremos que seguir, estou muito feliz! Duas palavras que sempre fizeram muito sentido para mim e tocam diretamente a minha autenticidade e o jeito que me conecto com a arte!
pra mim, não. a minha palavra é fluir. já venho trabalhando a essência há alguns bons anos, e tive uma experiência bem forte de reconexão à minha essência. é claro que estamos a todo momento reconectando à nossa essência, mas sinto que eu, agora, estou no momento de fluir.